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quinta-feira, 19 de maio de 2011





CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO RASIL
49ª Assembléia Geral
Aparecida-SP, 04 a13 de maio de 2011
49ª AG (Doc)



NOTA DA CNBB A RESPEITO DA DECISÃO DO SUPREMO
TRIBUNAL FEDERAL QUANTO À UNIÃO
ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO


Nós, Bispos do Brasil em Assembleia Geral, nos dias 4 a 13 de maio, reunidos na casa da nossa Mãe, Nossa Senhora Aparecida, dirigimo-nos a todos os fiéis e pessoas de boa vontade para reafirmar o princípio da instituição familiar e esclarecer a respeito da união estável entre pessoas do mesmo sexo. Saudamos todas as famílias do nosso País e as encorajamos a viver fiel e alegremente a sua missão. Tão grande é a importância da família, que toda a sociedade tem nela a sua base vital. Por isso é possível fazer do mundo uma grande família.
A diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural. O matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural. As Sagradas Escrituras, por sua vez, revelam que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança e os destinou a ser uma só carne (cf. Gn 1,27; 2,24).  Assim, a família é o âmbito adequado para a plena realização humana, o desenvolvimento das diversas gerações e constitui o maior bem das pessoas.
As pessoas que sentem atração sexual exclusiva ou predominante pelo mesmo sexo são merecedoras de respeito e consideração. Repudiamos todo tipo de discriminação e violência que fere sua dignidade de pessoa humana (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 2357-2358).
As uniões estáveis entre pessoas do mesmo sexo recebem agora em nosso País  reconhecimento do Estado. Tais uniões não podem ser equiparadas à família, que se fundamenta no consentimento matrimonial, na complementaridade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e educação dos filhos. Equiparar as uniões entre pessoas do mesmo sexo à família descaracteriza a sua identidade e ameaça a estabilidade da mesma. É um fato real que a família é um recurso humano e social incomparável, além de ser também uma grande benfeitora da humanidade. Ela favorece a integração de todas as gerações, dá amparo aos doentes e idosos, socorre os desempregados e pessoas portadoras de deficiência. Portanto têm o direito de ser valorizada e protegida pelo Estado.
É atribuição do Congresso Nacional propor e votar leis, cabendo ao governo garanti-las. Preocupa-nos ver os poderes constituídos ultrapassarem os limites de sua competência, como aconteceu com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal. Não é a primeira vez que no Brasil acontecem conflitos dessa natureza que comprometem a ética na política.
A instituição familiar corresponde ao desígnio de Deus e é tão fundamental para a pessoa que o Senhor elevou o Matrimônio à dignidade de Sacramento. Assim, motivados pelo Documento de Aparecida, propomo-nos a renovar o nosso empenho por uma Pastoral Familiar intensa e vigorosa.
Jesus Cristo Ressuscitado, fonte de Vida e Senhor da história, que nasceu, cresceu e viveu na Sagrada Família de Nazaré, pela intercessão da Virgem Maria e de São José, seu esposo, ilumine o povo brasileiro e seus governantes no compromisso pela promoção e defesa da família.

Aparecida (SP), 11 de maio de 2011


Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana – MG
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus – AM
Vice-Presidente da CNBB




Dom Dimas Lara Barbosa
Arcebispo nomeado para Campo Grande – MS
Secretário Geral da CNBB




Maria


O mês de maio é dedicado a Maria. Trata-se de uma antiga tradição popular, que foi assumida pela Igreja, homenageando a pessoa da Mãe de Jesus. Ela merece dos cristãos um carinho todo especial pelo seu importante papel na história da salvação. Deus a escolheu para ser a mãe do Salva- dor, plenificou-a com sua graça, por isso proclamamos “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco”.

Para todos nós, ela é modelo de fé e de oração, de contemplação do mistério divino. É a mulher obediente à Palavra de Deus, de quem Isabel testemunhou: “Bem-aventurada a que acreditou, porque se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas”. (Lc 1, 45) É modelo de amor e doação, que se põe a caminho para servir a prima Isabel, que está a serviço e preocu- pada com os noivos nas Bodas de Caná. É a mãe terna que ampara e protege seus filhos e sempre nos aconselha para que sejamos fiéis a Jesus: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. (Jo 2, 5) 

O carinho do povo por Maria faz com que ela seja louvada de diferen- tes maneiras, com diversos títulos. É o cumprimento da profecia que fez em seu cântico do Magnificat: “To- das as gerações me chamarão bem- aventurada.” (Lc 1, 48) O importante é que esse amor não se reduza a devocionismos ou meras celebra- ções festivas, mas se concretize na vivência do evangelho de seu Filho Divino. A verdadeira devoção a Maria se manifesta na imitação de suas virtudes, praticando os ensina- mentos de Jesus. A verdadeira devoção, também, reconhece que Maria é importante, mas é a segunda no plano da salvação. O primeiro lugar pertence a Jesus.

Ressalte-se, também, que Maria é uma mulher que viveu plenamente sua feminilidade. Muitas vezes os louvores que lhe tributamos pare- cem ofuscar esta verdade: ela é uma mulher simples, humilde, engajada na vida do povo. Mulher pobre, da periferia, que viveu a migração e a exclusão. Mãe zelosa, que cuidou de Jesus com afeto e dedicação, trocando suas fraldas, ajudando-o a dar os primeiros passos, cuidan- do de sua roupa e alimentação, ensinando as lições da vida, enfim, fazendo o mesmo que nossas mães fazem. Mulher forte aos pés da cruz e ao receber em seus braços o corpo exangue de seu Filho querido.
Ela nos convida a rezar e a lou- var: “Minha alma glorifica o Senhor e exulta meu espírito em Deus meu Salvador”. (Lc 1, 46-47) Mas tam- bém nos convida a empenhar na luta pela justiça, pela construção de um mundo novo, numa clara opção pelos pobres e marginaliza- dos, os seus filhos prediletos. Pois no seu cântico nos recorda de que lado Deus e ela estão: “Derruba do trono os poderosos e eleva os humildes; aos famintos enche de bens, e despede os ricos de mãos vazias.” (Lc 1, 52-53) 
Maria é muito importante na vida de Jesus e deve ser também em nossa vida. Ela é a cristã autêntica, comprometida com o Reino de Deus, sempre dócil e obediente à vontade do Senhor. Modelo de Igre- ja, modelo para todos os cristãos. 
Muitos já falaram das maravilhas espirituais de Maria. É preciso, também, que lembremos suas outras dimensões. O fundamental é proclamá-la mãe de Deus, da Igreja e de toda a humanidade. Proclamá- la como imaculada, pura, santa, mas também como pessoa forte, corajosa, que assumiu plenamente seu papel de mulher e de mãe.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Biblia

Uma Bíblia e um catecismo

Um católico sereno e feliz entende, sem nenhum conflito, a importância de conhecer a Bíblia e o Catecismo da Igreja. São dois manuais indispensáveis na casa e na cabeceira de um católico. Ali estão a palavra de Deus e a Palavra da Igreja para o nosso tempo.

No fundo, o catecismo é a Bíblia aplicada ao nosso tempo. Por isso, um católico não deveria nunca deixar passar a oportunidade de fazer um curso de Bíblia.

Como tudo na vida, é preciso saber usar para não usar errado. Se compro um forno micro-ondas e não sigo as instruções, posso assar errado e ao invés de melhorar minha alimentação, prejudicá-la. Quem deseja dirigir um carro tem que aprender, por isso vai à escola; seu computador será inútil se você não souber como funciona e como se manuseia seus programas.

Sua Bíblia não lhe dirá muita coisa, se você se limita a ler "trechinhos". Ela é um todo. Tudo lá tem a ver com tudo. Por isso, tanta gente tem fé agitada e confusa. Não lê com perspectiva.

Por isso há tantos visionários e fanáticos, usando trechos da Bíblia para justificar suas afirmações sem pé nem cabeça. Leram trechos. E o que leram, não entenderam. É muito mais correto saber o que a Bíblia quis dizer, do que saber de cor o que está escrito na Bíblia.

Quem não entende isso não entendeu o cristianismo. Faça um curso de Bíblia na Igreja Católica, se pretende ser católico. Se quer ser evangélico ou messiânico, faça com eles. Cada grupo ressaltará o que serve ao seu grupo.

Infelizmente, somos todos míopes ou caolhos. Lemos a Bíblia com nossas limitações. E quem diz que a lê sem nenhuma limitação está mentindo.

Por maior que seja o santo, sua visão continua pequena e sua Bíblia continuará apontando para muito mais longe do que ele e sua Igreja são capazes de ir.

Pe. Zezinho. SCJ

quarta-feira, 4 de maio de 2011